A Árvore na berma da estrada

“Não sei bem porque estou a escrever isto… mas desde aquela noite que não consigo esquecer. Talvez alguém aqui já tenha ouvido algo parecido.

Isto aconteceu após sai de uma festa de aldeia perto de casa.

Eu e uns amigos fomos lá beber, conviver, nada de especial. Já era tarde quando fomos embora, devia ser perto das 3 da manhã. Fomos a pé. O caminho era uma estrada longa, quase sem casas, só campo aberto e algumas árvores bem afastadas umas das outras.

O céu estava limpo, cheio de estrelas. E no meio do caminho… havia uma árvore.

Eu sei que parece estranho dizer assim, mas aquela árvore não era normal. Era muito maior que as outras e estava completamente isolada, como se não pertencesse ali.

Desde o momento em que a vi ao longe, comecei a sentir-me inquieto. Um nervosismo sem motivo, o coração acelerado. Comentei com os meus amigos, mas ninguém ligou muito. Quanto mais nos aproximávamos, pior ficava a sensação.

Entretanto, por causa da bebida, fiquei com vontade de urinar. E ali não havia nenhum sítio para me esconder, a não ser perto daquela árvore. Sei que foi uma má ideia… mas fui na mesma.

Afastei-me um pouco do grupo e caminhei na direção dela. A cada passo, sentia que devia voltar para trás, mas ignorei.

Quando cheguei perto e comecei, reparei em algo estranho. Os ramos mexiam. Não havia vento e mais nada se mexia na estrada… só os ramos daquela árvore.

No início era um movimento leve, mas depois… aumentou. Fiquei a olhar, sem perceber. Até que tive a sensação de que aquilo estava a reagir à minha presença.

Um dos ramos desceu. Demasiado baixo. E foi nesse momento que me lembrei de uma história antiga que ouvi em criança sobre uma árvore que agarrava pessoas e as puxava para cima… desaparecendo com elas. E ali, naquele momento, eu tive a certeza que aquilo era real.

Os ramos começaram a mover-se mais rápido. Vinham na minha direção. Nem terminei, virei-me e corri. Corri sem olhar para trás. Só ouvi o som dos galhos a estalar com os movimentos cada vez mais fortes, como se a árvore estivesse a tentar alcançar-me.

Quando cheguei aos meus amigos, perceberam logo que algo estava errado. Perguntaram o que se passou, mas eu não consegui explicar como deve de ser. Só pedi para irmos embora dali o mais depressa possível.

Nunca mais passei naquela estrada à noite. Tenho a sensação de que escapei de algo muito maior que eu.

Muito tempo depois, quando voltei lá durante o dia, percebi que a terra em volta da árvore estava estranha. Era como se nada sobrevivesse em volta dela, num grande circulo de terra velha e apodrecida… Já a árvore parecia perfeitamente normal… Até hoje eu não sei o que vi naquela noite, mas tenho a certeza de uma coisa: se estiverem numa estrada como aquela e virem uma árvore grande demais, completamente sozinha… não se aproximem dela.”

Não há duas sem três: Paralisia Facial (de Bell)

Não, desta vez não vos venho contar outro episódio de paralisia do sono. Hoje quero abrir um pouco o leque da minha vida para que me conheçam melhor.

Quem me conhece sabe muito bem que sou bastante reservado e não é de meu costume andar aqui a debitar este tipo de coisa. Muito menos sou a favor das “histórias de coitadinho” que, durante muito tempo, parecia que era o que dava visibilidade aos famosos (se isto me der visibilidade vou morder a língua…)

Sejam bem-vindos à parte 2 da “aventura” da paralisia facial.

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