La Catrina: Símbolo da Morte e Cultura Mexicana

Há poucas histórias e lendas que me deixam verdadeiramente maravilhado. La Catrina é uma delas. Um símbolo importante da cultura mexicana que roça a política e movimentos artísticos e sociais, entre outros. Não apenas isso, mas também a sua imagem, imaginada de diversas formas por diversas pessoas, sempre foi objeto de fascinio.

Calavera Garbancera de José Guadalupe Posada / La Catrina no mural de Diego Rivera

A Vida e a Morte na cultura mexicana

La Catrina é mais do que uma expressão cultural mexicana, é um símbolo político, de comportamento e estilo de vida. É também símbolo de movimento artístico e social.

Conhecida também por la flaca ou la muerte, a sua primeira versão, a Calavera Garbancera, foi gravada em metal por José Guadalupe Posada. Mais tarde, Diego Rivera vestiu-a e incorporou-a nos seus murais, rebatizando-a com o nome que realmente pegou: La Catrina.

A caveira

La Catrina vem do termo Catrín, “bem vestido”. É por isso que a sua imagem feminina é utilizada para representar caveiras vestidas com roupas de gala, chapéus, a beber pulque, montadas a cavalo, em festas da alta sociedade…

La Catrina surgiu também como uma crítica social à classe política durante os governos mexicanos de Benito Juárez, Sebastián Lerdo de Tejada e Porfirio Díaz, representando a miséria, os horrores políticos e a hipocrisia da sociedade mexicana.

Hoje em dia, a popularidade da caveira está, literalmente, na pele das pessoas. Desde tatuagens de La Catrina a calebrações temáticas no Día de Los Muertos, com direito a concurso de melhor fantasia, desfile e exposições.

Morte e arte

“O mexicano tende a ver a vida com bom humor, não importa a gravidade da situação. O humor negro brilha quando se passa por coisas difíceis como a morte. No meu caso, principalmente por La Catrina representar uma crítica social, gosto que ela esteja presente no meu trabalho. Pra mim ela é uma peça-chave, uma forma de diferenciação. Além disso, ajuda-me a lembrar o quanto a vida é fugaz e que precisamos desfrutá-la ao máximo.”
Guillermo Flores

“As caveiras representam os que já morreram. Noutros países costumam ver esses símbolos como algo sinistro, que dá medo. No México, usamos muitas cores para representar a alegria e retorno místico à vida.

Durante muitas gerações, La Catrina inspirou artesãos a criarem as suas próprias caveiras. Isso, com o tempo, formou um verdadeiro catálogo de caveiras mexicanas, todas especiais e com significados diferentes pelas mãos de cada artista. Com o tempo, percebo que as minhas caveiras têm uma assinatura, uma forma forma de representação muito peculiar e característica do meu trabalho.”
Mauricio Groenewold

Catrina Guillermo Flores / Orbeh Studio e Catrina Mauricio Groenewold

Día de Los Muertos: A Celebração da Morte

O Día de Los Muertos começa no final de outubro, inclui o 1º de novembro, que é dedicado às almas das crianças, e encerra no dia 2 de novembro, em homenagem aos espíritos dos adultos.

Desde 2003, a festividade é reconhecida pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

A população enfeita as ruas do país com muitas cores, papéis picados, flores, músicas, roupas tradicionais e, claro, inúmeras caveiras, unindo tradições indígenas locais e católicas.

“Os europeus colocaram algumas flores, ceras e velas. Os indígenas acrescentaram o incenso, a comida e a flor de calêndula (Zempoalxóchitl)”, explica o Instituto Nacional dos Povos Indígenas do México (INPI).

Os preparativos são iniciados no fim de outubro. No dia 1 de novembro, o dia é dedicado às almas das crianças e, no dia 2, saúda os espíritos dos adultos.

Em espaços de intimidade pessoal, como os lares e cemitérios, preparam-se oferendas com fotos dos entes queridos já falecidos para, de alguma forma, tentar estabelecer uma espécie de ligação para que, segundo a tradição, os espíritos possam visitar os seus parentes vivos nestes dias. Frutas, pães, bebidas, incensos, velas e outros adornos tradicionais da data são oferecidos em abundância.

La Catrina no mural de Diego Rivera

Uma Verdadeira Divindade

Atualmente não existe outra entidade mais representativa do Día de Los Muertos do que La Catrina, sendo uma das fantasias e maquiagens mais utilizadas nos festivais do país.

La Catrina deixou de ser um mero desenho no papel para se tornar um elemento totalmente vivo da cultura mexicana”, diz a página oficial de turismo do governo mexicano sobre o Día de Los Muertos.

La Catrina no universo de “O Guardião das Lendas”

No episódio especial que assinala esta data quase equiparada ao Halloween, La Catrina aparece como uma fantasia do concurso dessa noite que acontecerá na Urbanização Raízes, o lar de Luísa. Neste capítulo, pode até ser símbolo de uma morte que parece que irá acontecer a qualquer instante, o que nos deixa sempre na incerteza até porque… o que acontece no episódio faz-nos achas que a morte está constantemente à espreita, por isso, nada melhor do que a presença desta personagem icónica.

Luísa, fantasiada desta personagem, leva o leitor/espetador por uma viagem ao passado daquela urbanização onde conhecemos a lenda que lhe deu origem ao fim de tantos anos. Embora fantasiada de La Catrina, Luísa é tratada como um guia pelos espíritos da lenda, o que reflete outro lado da icónica caveira.

Podes conhecer esta história e outras nos episódios especiais de “O Guardião das Lendas”. Basta carregar na imagem ao lado.


Fontes:
colab55.com
phoenixnewtimes.com

Um pensamento sobre “La Catrina: Símbolo da Morte e Cultura Mexicana

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