Corria a década de 90 quando, na recém aberta Kadoc, nasceu um mito… uma mulher de branco que pedia boleia aos homens. Esta história foi-me contada pelo amigo de um tio que, diz ele, viu a mulher uma vez.
Após algumas horas regadas a álcool e depois de muitas de danças com várias mulheres, Sandro estava suado e acabado, completamente esgotado quando avistou uma misteriosa e linda mulher.
Os seus longos cabelos negros, um sorriso encantador e brilhante e os olhos escuros como a noite. Trazia um vestido branco que esvoaçava mesmo sem vento e fazia-a parecer um ser celestial. Bastou um olhar para Sandro ficar perdidamente apaixonado.
Mesmo cansado, dançou por mais algumas horas, ansioso pelo que se adivinhava.
Quando a noite acabou, aquela mulher pediu-lhe boleia para casa, pois tinha medo de ir sozinha. Sandro prontificou-se a levá-la, feliz pelo subtil convite.
Entraram no carro e lá foram.
Sandro tentava conversar. Queria saber o nome dela, de onde era, o que fazia da vida… mas ela não respondia, mantendo o seu olhar preso na estrada. Após alguns poucos quilómetros, Sandro tentou chamar-lhe à atenção ao pousar a mão na perna dela.
Nesse instante, a mulher olhou-o com os olhos tão escuros que pareciam dois buracos negros, mas continuou sem responder. Assustado com o olhar, Sandro voltou a colocar a mão no volante e ficou em silêncio. A mulher também voltou a olhar para a estrada.
De repente, apontou para a pequena ponte sobre a ribeira e exclamou “Ali! Foi ali que eu morri!” Desnorteado, Sandro saltou no banco ao mesmo tempo que se virou para ela. A última visão que teve daquele ser angelical foi da sua face cadavérica antes de desaparecer no ar.
Não chegou a retomar a atenção à estrada, era tarde demais. O carro atingiu um muro e ficou com toda a parte esquerda destruída.
Depois desse (estranho) acidente, esse amigo do meu tio diz que aquela mulher ainda voltou a ser vista mais duas ou três vezes na Kadoc. Sobre o dia em que ele a viu… isso fica para outra noite.