Ano Novo, Vida Nova

Há vários mitos espalhados por aí, alguns fazem um pouco mais de sentido do que outros, mas é aí que está a graça de tudo. Imaginem só: as 12 badaladas começam a tocar, um foguete sobe ao céu e explode acompanhado por outros, as pessoas à vossa volta começam a comemorar; uns beijam o seu par, outros comem passas, outros correm para o mar para o primeiro banho do ano… Há tantas crenças e todas elas têm uma razão de existir.

Vem conhecer mais sobre estes mitos de ano novo e fica a par de todos os Easter Eggs que podes encontrar no especial de Fim de Ano de “O Guardião das Lendas”, já disponível para download no site.

As 12 Passas

Todos conhecemos o ritual. À meia-noite comem-se 12 passas e fazem-se 12 desejos. Mas há um detalhe que quase ninguém respeita: não podes falhar.

Diz-se que cada passa representa um mês do ano e que, se hesitares, se te engasgares ou se não conseguires terminar a tempo, o ritual fica incompleto.

A partir daí existem várias opções, entre as quais estas duas: ou todos os desejos são anulados, ou apenas os que ficaram bem feitos serão realizados. Talvez funcione de forma diferente para cada pessoa?

Dinheiro na Mão

Há quem fale que se deve segurar dinheiro à meia-noite para atrair prosperidade. Faz sentido. Mas a origem deste mito é bem antiga.

Na verdade, acreditava-se que, naquele momento, algo chamado de “vazio” poderia escolher alguém para seguir durante o ano e que quem estivesse sem nada nas mãos estava mais vulnerável.

Não era sobre riqueza. Era sobre o ano começar um pouco mais… vazio.

Nota de Dinheiro Dentro do Sapato

Outro mito muito difundido é o de colocar uma nota dentro do sapato. Ao dar os primeiros passos no novo ano com uma nota dentro do sapato, acredita-se que o dinheiro acompanhará a pessoa durante todo o ano. Uma outra forma da anterior, se formos a fundo, pois ambas têm a mesma finalidade e são formas de manter o corpo em contacto com o dinheiro.

Comer Lentilhas

Superstição temos muitas, até para o que se deve comer na noite do dia 31 de dezembro. Acredita-se que a lentilha traz sorte e fartura para o ano seguinte. Essa simpatia foi difundida pelos imigrantes italianos, mas a fama é ainda mais antiga, tendo sido citada no livro Génesis.

Portas e Janelas Abertas à Meia-Noite

Há algo de simbólico no ato de abrir toda a casa à meia-noite. Deixar o ano velho sair para que o novo ano entre.

Também há quem diga que, às vezes, há algo mais que entra com o novo ano. E no fim desse ano, esse algo pode não conseguir sair se não abrirmos a casa… e nem sempre é coisa boa.

Resumindo, vamos abrir a casa para arejar e trazer um ar mais leve para a nossa vida?

A Mala à Porta

Há quem acredite que deixar uma mala à porta, do lado de fora, atraia viagens. Parece simples e inofensivo. Mas em algumas versões antigas o gesto tinha outro significado: estavas a mostrar estar pronto para partir, só não escolhias para onde.

Eu prefiro acreditar na outra versão: correr com uma mala de viagem vazia em volta da casa (ou do quarteirão). Muito mais leve, mais desportista e saudável, além disso há um envolvimento direto na tradição.

Não se fazem limpezas no Dia 1

Quem é que pensa em fazer limpezas no feriado, dia 1 de janeiro? Dizem os antigos que se deve evitar limpar ou lavar roupa no primeiro dia do ano. É uma superstição bem comum, mas com uma “lógica” por trás: não se mexe no que foi “trazido” da noite anterior porque, segundo algumas crenças, podem trazer algo contigo da passagem de ano.

É sobre não trazer o passado atrás num momento em que devemos olhar para um futuro promissor.

Por outro lado, as boas energias vêm a quem limpou e arrumou a casa no dia 31. Desfazer-se de coisas que já não usa é dito que abre horizontes e liberta a mente para novos caminhos.

Os Espíritos na Passagem de Ano

Algumas culturas acreditam que, à meia-noite, o mundo dos vivos e o dos mortos ficam mais próximos. Algo como acontece no Halloween. Mas ao contrário dessa noite ninguém fala muito disso.

Talvez porque estejam todos distraídos com a festa, afinal é um data de comemoração. Ou talvez seja algo que ficou perdido ao longo do tempo. No entanto, a explicação é simples: é um momento de passagem, de avanço, e há coisas que teimam em vir atrás sem convite. Resta-nos a nós sermos mais fortes e, com um pouco de sorte, não cruzarmos caminho com nenhum ser de outra dimensão.

O primeiro beijo do ano

Já todos vimos os casais darem um beijo apaixonado no momento da passagem, isto porque muitos acreditam que, se esse beijo não existir naquele momento, é má sorte para a relação.

E todos querem que a relação dure, exato?

Há também quem vá mais longe e, no momento em que o primeiro foguete rebenta, com todas as cores em voltas, se ajoelhe e pergunte: “Queres casar comigo?”

As cores

Quem nunca ouviu alguém falar das cores da roupa que vai usar na passagem de ano que atire a primeira pedra!

Branco: paz, harmonia, equilíbrio e tranquilidade;
Amarelo/Dourado: dinheiro, prosperidade, sucesso e abundância;
Vermelho: amor, paixão, energia e coragem;
Rosa: amor próprio, carinho, romance e afeto;
Verde: saúde, esperança, crescimento e renovação;
Azul: calma, serenidade, paciência e proteção;
Roxo/lilás: espiritualidade, intuição e transformação;
Laranja: criatividade, entusiasmo e alegria;
Preto: independência, força e decisões importantes;
Prata: inovação, mudança e modernidade

A Roupa

Não só as cores, mas também as peças de roupa que têm de ser novas ou velhas? A crença diz que na passagem de ano temos de vestir, pelo menos, uma peça de roupa que nunca tenhamos vestido antes. Isso serviria para abrir novos caminhos e deixar para trás as coisas que vivemos com as roupas já usadas.

Detalhe importante: costuma-se dizer que as cuecas têm de ser novas e a cor que escolhermos serve para atrair coisas diferentes para o novo ano.

Também existe a crença de que devemos usar roupa branca, mas, mais uma vez, tem a ver com o facto de ser roupa branca e nova. O uso da roupa branca nesta data surgiu no Brasil, sob a influência das religiões de matriz africana, como a Umbanda e o Candomblé, em que as pessoas vestiam essa cor nessa data para deixar oferendas aos Orixás no mar. Entretanto, esse costume espalhou-se e assumiu um novo significado. Agora, usar essa cor pode trazer paz, prosperidade e boas energias para o ano que está a chegar.

Pular as 7 ondas

Outra tradição com origem no Brasil é a de pular as 7 ondas, ou como também é conhecida “7 ondas de Iemanjá”. Também é uma superstição relacionada com uma tradição das religiões de matriz africana. Ao pular as sete ondas, a pessoa está a fazer referência aos 7 sentidos da vida ou às 7 qualidades de Deus, representadas por 7 Orixás: Oxalá, Oxum, Oxóssi, Xangô, Ogum, Obaluaiê e Iemanjá. Esse ritual serve para atrair boa sorte e coisas boas para o ano que está a começar e, também, deixar para trás o que não foi bom do ano anterior.

Pular Com o Pé Direito

Quem nunca ouviu alguém dizer “entra com o pé direito!”? Começar alguma coisa com o pé direito significa começar bem, nesse caso é literalmente entrar no novo ano com o pé direito. Simplesmente, antes da meia noite, devemos subir em cima de uma cadeira ou degrau e, ao terminar a contagem regressiva, pular para o chão com o pé direito ao mesmo tempo que pensamos em coisas boas.

Experimentem pular as 7 ondas com o pé direito e depois digam se correu bem!

A Contagem Decrescente

10… 9… 8…

Parece apenas uma tradição. E é uma tradição carregada de simbolismo. A contagem decrescente, que normalmente começa nos 10, é um ritual que significa o encerramento de um ciclo e o início de um novo; funciona como um ponto de reflexão e união coletiva.

É o fim de um ciclo e começo de outro. É uma pausa para balanço do que foi vivido e a projeção de novos desejos e metas.

É um controlo do tempo. Ao contarem os segundos, as pessoas têm mais consciência da passagem do tempo e preparam-se para o momento exato da passagem de ano.

É união coletiva. Contar em voz alta traz um sentimento de partilha, onde multidões por todo o mundo sincronizam-se, o que reforça o clima de festa, união e celebração.

Também é uma forma de antecipar a emoção dos fogos de artifício, dos abraços e dos beijos, marcando assim o momento de “acordar” para um ano novo.

E, principalmente, para garantir que todos atravessam ao mesmo tempo.

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