A Páscoa é uma celebração que assinala a ressurreição de Jesus Cristo, que terá acontecido três dias depois da sua crucificação. É um momento que representa a vitória sobre a morte, a renovação espiritual e esperança num recomeço.
E também significa que vamos comer muito chocolate.

A Mudança da Data Todos os Anos
A Páscoa não tem uma data fixa, ela é determinada com base numa combinação de fatores, tais como o equinócio da primavera e a fase da lua.
Por tanto, a Páscoa é celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia que ocorre no dia do equinócio da Primavera, ou logo a seguir, ou seja, é equivalente à antiga regra de que seria o primeiro Domingo após o 14º dia do mês lunar de Nissan. O dia do domingo de Páscoa pode variar entre as datas extremas de 22 de Março e de 25 de Abril, dependendo da disposição dos dias e dos meses nas semanas.
Raízes antigas

Muito antes da Páscoa cristã, já existiam celebrações nesta altura do ano. Esses rituais estavam ligados a fertilidade, renascimento da natureza e fim do inverno.
Uma das figuras associadas a essas tradições é a Deusa Eostre.
Eostre, Ēostre, Ostara ou Ostera é a deusa da fertilidade, amor e do renascimento na mitologia anglo-saxã, na mitologia nórdica e mitologia germânica. Na primavera, lebres e ovos coloridos eram os símbolos da fertilidade e renovação associados a essa deusa.
Acredita-se que o nome “Easter” (“Páscoa” em inglês) deriva do nome dessa deusa.
A Lenda do Coelho da Páscoa
O Coelho da Páscoa tornou-se um dos símbolos mais populares da Páscoa, especialmente em países europeus e na América. Essa crença teve origem numa lenda muito antiga:
“Dizem as lendas que Eostre tinha uma especial afeição por crianças. Onde quer que ela fosse, elas seguiam-na e a deusa adorava cantar e entretê-las com sua magia.
Um dia, Eostre estava sentada num jardim com as suas tão amadas crianças, quando um amável pássaro voou sobre elas e pousou na mão da deusa. Ao dizer algumas palavras mágicas, o pássaro transformou-se no animal favorito de Eostre: um coelho.
Isto maravilhou as crianças.
Com o passar dos meses, as crianças repararam que o coelho não estava feliz com a transformação, porque não podia mais cantar nem voar.
As crianças pediram a Eostre que desfizesse o encantamento. Ela tentou de todas as formas e maneiras possíveis, mas não conseguiu desfazer o encanto. A magia já estava feita e nada poderia revertê-la. Eostre decidiu esperar até que o inverno passasse, pois nessa época do ano o seu poder diminuía. Quem sabe quando a Primavera retornasse e os seus poderes fossem restituídos de novo pudesse ao menos dar alguns momentos de alegria ao coelho, ao transformá-lo novamente em pássaro, nem que fosse por alguns momentos?
O coelho assim permaneceu até à chegada da Primavera. Naquela época os poderes de Eostre estavam no seu apogeu e ela pôde transformar o coelho em pássaro novamente, durante algum tempo. Agradecido, o pássaro pôs ovos em homenagem a Eostre. Em celebração à sua liberdade e às crianças, que tinham pedido a Eostre que lhe concedesse sua forma original, o pássaro, transformado em coelho novamente, pintou os ovos e distribuiu-os pelo mundo.
Para lembrar as pessoas do ato tolo que foi interferir no livre-arbítrio de alguém, Eostre entalhou a figura de um coelho na lua que pode ser vista até aos dias de hoje.”

Diz-se também que o coelho escondia os ovos para as crianças encontrarem. Em algumas versões antigas, o coelho tinha algumas parecenças com o Pai Natal: analisava o comportamento das crianças e só deixava ovos para aquelas que se portassem bem.
Os Ovos
Os Ovos são um símbolo que representa renovação, vida, criação. Na Idade Média, era comum oferecer ovos decorados. Mais tarde, surgiram os ovos pintados, os ovos de açúcar e os ovos de chocolate.

Pequenos mitos
Em algumas culturas, acredita-se que os ovos podem proteger contra o mal e/ou que absorvem energias negativas. Eram, por isso, usados em rituais ou guardados em casa.
Tradições religiosas
O silêncio dos sinos
Entre a Sexta-feira Santa e o Domingo de Páscoa, em algumas tradições, os sinos das Igrejas não tocam em símbolo de luto pela morte do Cristo e como é período de recolhimento.
Semana Santa
A Páscoa é precedida pela Semana Santa, que inclui momentos importantes, tais como: o Domingo de Ramos, a Quinta-feira Santa, a Sexta-feira Santa (crucificação) e o Domingo de Páscoa (ressurreição).
Cada dia tem rituais próprios e significados específicos.
Tradições gastronómicas

A comida também tem um papel importante. Após períodos de jejum (como, por exemplo, o Ramadão), a Páscoa marca o regresso à abundância. Comem-se cabrito ou borrego, doces tradicionais, folar (Portugal), etc. E muitos destes alimentos simbolizam partilha e renovação.
O tradicional folar de Páscoa de Portugal traz até um (ou mais) ovo(s) cozido, como símbolo de sorte, prosperidade e proteção.
Mitos e crenças populares
Ao longo do tempo, vários mitos foram criados ligados à Páscoa. Por exemplo, acredita-se que os ovos trazem sorte a quem os recebe, o coelho é um mensageiro da natureza, a mudança de ciclo (Inverno-Primavera e morte-vida).
significado atual
Hoje, a Páscoa reúne vários elementos, tais como religião, tradição, cultura popular e celebração familiar. Cada pessoa vive a data de forma diferente, seja ela espiritual, simbólica ou simplesmente cultural.
A verdade é que não é preciso ser-se diretamente religioso para se celebrar este dia.
No Japão, a Lenda do Coelho da Lua é diferente. É uma Lenda sobre altruísmo e sacrifício.
O Coelho da Lua, uma Lenda do Japão
Um dia, um velho viajante, maltrapilho e morto de fome, foi encontrado por um Macaco, uma Raposa e um Coelho. Os três animais decidiram dedicar-se a encontrar comida para o faminto ancião. O Macaco colheu frutas nas árvores e a raposa capturou vários peixes.
No entanto, o Coelho não conseguiu nada que pudesse oferecer ao velho.
Triste por essa situação, mas determinado a oferecer algo substancial ao velho faminto, o Coelho então atirou-se ao fogo para que a sua carne pudesse alimentar o pobre mendigo.
Esse velho, no entanto, revelou ser uma divindade e comovido com o sacrifício do Coelho, desenhou a sua imagem na superfície da Lua, para que todos pudessem recordar de sua generosidade para sempre.
